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Compreender a importância do corpo como uma embalagem que é gasta ao longo da viagem chamada vida, é o mote de INI,  segundo EP do cantor e compositor cearense Matheus Santiago, que durante o período de isolamento social mergulhou em si para transformar suas angústias e inquietações em arte. O resultado é um EP de música popular brasileira, que conta com parcerias de Caio Castelo e Klaus Sena.

 

INI, que significa rede na língua tupi, soa como uma autobiografia e representa o processo evolutivo do artista, que passou a fazer das dores sua arte viva, pulsante, dançante e reflexiva.  “Muitas vezes, a cura para esses processos não acontece no momento em que idealizamos. O corpo é feito de impermanências, mudanças e, justamente por isso, ele pode ser matéria de criação e recriação”, reflete Matheus.

 

Com três faixas autorais, o EP traz um som brasileiro, solar e ao mesmo tempo melancólico para acompanhar a narrativa das composições e traz como referências Gilberto Gil e Moraes Moreira no tocar percussivo dos violões. O cearense traz ainda outras sonoridades e poéticas que passeiam pela discografia de Ednardo da década de 1970, Dona Ivone Lara, Clube da Esquina, Beatles e representantes da música caipira. 

 

“Sei que posso crer no axé dos meus ancestrais indígenas e de África. "Votu", o nome do meu EP anterior, significa vento também em tupi. Vento este que soprou minha pele e balança INI, essa rede que embala os sonhos que estão por vir e traduzir o que as palavras muitas vezes não dão conta de dizer”, conceitua.